sábado, 17 de novembro de 2012

CRÍTICA - PROTEGENDO O INIMIGO


Em Protegendo o Inimigo, o ex-agente da CIA Tobin Frost está na Cidade do Cabo, na África do Sul, quando é perseguido após uma negociação envolvendo um arquivo valioso (lista de agentes corruptos - Será a mesma de Taylor Lautner em Sem Saída?????). HEHEHE Sem saída, Frost se entrega no Consulado Americano, e é levado para interrogatório em um abrigo administrado pelo inexperiente Matt Weston. Quando o esconderijo é atacado pelos inimigos de Frost, cabe a Weston seguir o protocolo e atestar a segurança do perigoso Frost.
Denzel Washington, câmera trêmula, suor, ação, teoria de conspiração. Protegendo o Inimigo é um filme de Tony Scott sem ser dirigido pelo diretor. O estilo visual e narrativo usado por Daniel Espinosa remete aos produtos da parceria Scott/Denzel, como Chamas da Vingança, Deja Vu e Incontrolável. O filme tem as mesmas virtudes, e peca nas mesmas áreas. A semelhança é tanto que tiveram que pesquisar se o irmão conhecido de Ridley Scott estava envolvido de alguma forma na produção.
O filme começa com um ritmo frenético, entregando o que a premissa promete. Com bastante ação, a fotografia agitada ajuda ao construir a atmosfera tensa da trama, mas atrapalha algumas das seqüências de ação, resultando em cenas difíceis de serem acompanhadas. O espectador até se costuma com a câmera trêmula, ainda que a utilização pudesse ter sido mais bem dosada.
Inicialmente, Protegendo o Inimigo tem a introdução dos personagens. Para deixar mais saliente a transformação pela qual Matt passa, sua ingenuidade é forçada no começo e fica inverossímil (quando os interrogadores usam waterboarding em Tobin, Matt pergunta se aquilo é legal, como se essa prática de tortura não fosse de conhecimento de todos). Depois, o relacionamento amoroso do novato é colocado em xeque, para Matt aprender, dentro da duração de um filme, como-é-duro-ser-um-agente-da-CIA-de-verdade.
AH... Quando conseguem escapar dos vilões que invadem o local onde Tobin Frost é interrogado, matando todos os agentes da cia, Matt coloca Frost no porta-malas e sai dirigindo freneticamente em um carro tomado de um transeunte. DETALHE: Os vilões ainda não conhecem Matt, logo bastaria que saísse disfarçadamente sem acelerar como um maluco. É muito feia a cena que os vilões vêm Matt (Reynolds) saindo, dirigindo o carro, sozinho, no meio da multidão, não visualizam Frost e, mesmo assim, vão no encalço de MAtt.
Durante a trama, há uma especie de "aprendizado express" que também existia em Dia de Treinamento, mas aquele filme tinha a grande sacada de manter a família de Ethan Hawke afastada; ele via a esposa no começo e no final do filme, apenas. EmProtegendo o Inimigo, os apuros amorosos são apenas uma das concessões melodramáticas que o roteiro faz - há outras, como a cena obrigatória do refúgio-na-casa-do-velho-amigo (de preferência um ex-parceiro bonachão que largou o crime e criou família, apenas para ser morto no fogo cruzado quando acolhe a visita do fugitivo).
O ritmo de Protegendo o Inimigo é acelerado o suficiente pra suprir essas situações-clichê. A fotografia saturada e a granulação, que parece aumentar o calor da África do Sul, combinam com o caos. Ryan Reynolds também merece um reconhecimento. Assim como Ethan Hawke, ele corre atrás e mantem o pique pra não ser engolido por Denzel Washington e consegue, nem que seja por um instante, apagar a imagem de galã asséptico e convencer como herói de ação.
O principal problema de Protegendo o Inimigo acontece após a união dos dois protagonistas, que lentamente acaba se tornando em uma trama de conspiração e traição. Eu até esperava que isso fosse acontecer, ainda que eu preferisse uma idéia mais cínica e original sobre Tobin Frost, já que ele é uma “lenda” na CIA. É quando você perceber que a história apresentada em Protegendo o Inimigo é batida e pouco criativa, acabando em uma meia hora final entendida e previsível. O filme se entrega em corpo e alma aos clichês do gênero e dos motivos de seu protagonista. Você já viu esse filme antes, e não há muita coisa que Protegendo o Inimigo ofereça que faça valer a pena conferir a mesma história de novo.

O mais decepcionante é que a falta de originalidade da trama acaba tirando muito da complexidade do personagem, ainda que o desempenho de Denzel seja brilhante. Reynolds também faz um bom trabalho na pele do inexperiente Weston.
A ÚNICA COISA MAIS OU MENOS INTERESSANTE é o retrato político e caricato dos meandros da polícia investigativa de alta complexidade.
Todavia, protegendo o Inimigo promete o que cumpre, e Denzel entrega uma atuação eficiente e envolvente como sempre, mas a sensação de déjà vu incomoda, e o filme se compromete pela falta de criatividade de sua trama, afinal, filme policial é quase sempre a mesma coisa, aqueles que conseguem inovar tornam-se brilhantes.
*essa crítica foi copiada de outros sites e acrescentei umas observações.